Vilão Recorrente…

Alguém para Odiar!

Pensando cá com meus botões sobre as campanhas que estou mestrando, notei que geralmente as coisas funcionam melhor quando existe um alvo para os personagens, ou em outras palavras, quando eles possuem alguém para odiar. Não importa o tipo de campanha que eu acabe jogando, ela sempre se torna um pouco mais memorável quando as coisas tem o “dedo” de um vilão recorrente, aquele mala sem alça que só existe para atrapalhar os jogadores.

heman_neca_skeletorresinstatue_frontExemplos de figuras deste estilo são muito (mas muito mesmo) comuns em desenhos animados em série, como os clássicos Oitentistas: O Esqueleto em  He-Man, Mun-ra em Thundercats, o Vingador no Caverna do Dragão e correlatos. Ainda hoje é comum que um único “grande vilão” viva importunando os heróis da série enquanto eles tentam viver suas vidas. E isso gera um tipo de situação que para facilitar a vida do mestre é muito bem vinda: os jogadores começam a detestar aquele sujeito, chegando ao ponto de procurarem acabar com os planos dele, em qualquer lugar que surjam.

E o que é necessário para se odiar alguém? E mais, como se organiza uma campanha girando apenas ao redor de um único vilão? Simples, coloque o nome dele em tudo o que surgir diante dos heróis.Vamos a um exemplo prático, utilizando-se de um vilão recorrente de minhas campanhas, Valen ( um mago com vastos poderes  mas que não era capaz de salvar a alma da mulher perdida há séculos por uma pequena divergência de pontos de vista com a divindade da morte do cenário em questão).

Invadiram uma masmorra? Os goblins encontrados lá eram escravos de Valen, trabalhando na mineração de metais necessários para seus encantos. Encontraram uma espada maldita? Ela é exatamente a mesma que Valen deseja, e seus lacaios não medirão esforços para reconquistá-la. Chegaram em uma cidade e acabaram presos pela milícia sem nenhum motivo? O delegado do lugar está sendo ameaçado por ninguém menos que… Valen! Não importa o quão aleatória seja a aventura (Saqueadores de beira de estrada? Tartarugas Radioativas do Espaço? Pokemons? Mulheres Machonas Armadas até os Dentes? Mas o que é isso em seus bolsos, não é o símbolo de… Valen!) coloque alguma ligação – por menor e mais vaga que seja – com o arqui-vilão da história.

A Guilda Arcana que contratou os personagens é administrada por um lacaio de Valen. Tropas de mercenários estão cobrando dinheiro por proteção em um vilarejo próximo, e o líder dos baderneiros é um dos seguidores de Valen. Valen, Valen, Valen. Não deixe que a aventura termine sem que seu nome seja pelo menos citado ou lembrado. Dentro em breve, a paranóia tomará conta dos jogadores e eles não confiarão em quase ninguém, temendo serem traídos. Aliás, é bem capaz que sejam mesmo!

E você não precisa apenas ficar preso ao estereótipo do Mago-Lich-Malvado. Clérigos e Ordens religiosas, ou até mesmo políticos e governantes podem possuir o poder necessário para se tornar uma pedra no sapato de seus jogadores. E tudo isso pode ser ainda pior. O desgraçado de seu inimigo pode até mesmo ser amado por seu povo (alguém já viu a admiração que o povo da Latvéria nutre por seu ditador Victor Von Doon? Ainda que não seja um amor voluntário hoho). Poder pode ser medido de várias formas, não necessariamente com músculos e magia.

Popularity: 16% [?]

About the Author

Mephisto é um demônio destruidor de mundos que vaga de universo em universo dizimando populações. Quando não está em batalha com alguma divindade qualquer, passa suas horas organizando textos em blogs.