Mouseguard – Pequenos Guardiões

Ratos

Por Bruno BURP

Uma idéia que sempre me ocorre em RPG, e o pessoal com quem eu jogo de vez em nunca deve lembrar, é a de jogar uma campanha com personagens animais. Coisa de quem cresceu assistindo Disney e outras lavagens cerebrais do tipo – sempre me pareceu uma idéia legal fazer uma aventura à lá O Rei Leão, com animais da savana, ou mesmo, quem sabe, com roedores urbanos em uma sociedade abaixo da nossa, estilo Bernardo & Bianca, Fievel ou, hum, Tico e Teco e Os Defensores da Lei; fora que eu sempre vivo prometendo de escrever um Patópolis Cenário de Campanha, mas nunca vai adiante.

capa_mouseguardOs Pequenos Guardiões pode ser resumido justamente como uma demonstração do que há de legal nessa idéia. Ele conta a história da Guarda, uma organização medieval de ratos criada para proteger a espécie de predadores naturais, enfrentando serpentes, carangueijos e outros animais que, vistos da sua perspectiva diminuta, assumem ares de monstros aterrorizantes. Não chegam a ser histórias muito surpreendentes, mas conseguem ser encantadoras na sua simplicidade, sem ser em momento algum simplórias.

A arte é simplesmente maravilhosa. Ao invés de seguir o caminho fácil da caricatura, como em Usagi Yojimbo e outras séries de animais humanóides, o autor David Petersen optou por um estilo mais realista; os ratos são levemente antropomórficos, mas, mesmo quando vestem capa e espada, não há dúvida de que são realmente ratos, e não apenas humanos com cabeças de roedores, o que colabora bastante com o clima de fantasia da história. Há vários quadrinhos que dão vontade de apenas parar e ficar olhando a cena ao invés de seguir adiante na leitura. E a narrativa também é ótima, repleta de ação epopéica e enquadramentos dramáticos; os combates com os “monstros” chegam a lembrar um Shadow of the Colossus em escala.

O único problema mesmo da série é que são livros pequenos, e parecem ainda menores pelo formato quadrado, estilo livro infantil, e a narrativa de quadrinhos repleta de cenas de ação, de leitura mais rápida e telegráfica. Ainda mais em livrarias como a Saraiva ou a Cultura, que oferecem até mesas e cafezinho para quem quiser folhear os livros na loja, dá pra ler cada um em uma visita rápida sem sequer comprar. Mas é uma boa série de se ter em casa também, para admirar a sua arte magnífica e encantadora, ou quem sabe dar de presente para aquele primo ou sobrinho que está aprendendo a ler.

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About the Author

Mephisto é um demônio destruidor de mundos que vaga de universo em universo dizimando populações. Quando não está em batalha com alguma divindade qualquer, passa suas horas organizando textos em blogs.