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	<title>Roleplayer - Várias mesas, um só blog &#187; Necropia</title>
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		<title>Almas Torturadas &#8211; Capítulo 06</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 03:01:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Necropia]]></category>
		<category><![CDATA[Almas Torturadas]]></category>
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		<description><![CDATA[A Cidade dos Mortos Por Nitro Dungeon. A cavalgada pelos Campos de Caça de Yzael foi rápida, sem maiores incidentes. Sir Deiphobus explicava para Sati, agarrada na garupa de seu cavalo, que conhecia muito bem as trilhas seguras dos Campos de Caça, longe das plantas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">A Cidade dos Mortos</span></strong></p>
<p>Por <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/"><strong>Nitro Dungeon</strong></a>.</p>
<p>A cavalgada pelos Campos de Caça de Yzael foi rápida, sem maiores incidentes. Sir Deiphobus explicava para Sati, agarrada na garupa de seu cavalo, que conhecia muito bem as trilhas seguras dos Campos de Caça, longe das plantas assassinas, predadores monstruosos e elementais malignos.<br />
<span id="more-2876"></span><br />
<img class="size-full wp-image-2877 alignleft" title="citacao_necropia3" src="http://www.inominattus.com/wp-content/citacao_necropia3.jpg" alt="citacao_necropia3" width="248" height="222" />O Cavaleiro Matadeus dizia que as florestas de Ereth eram parte do plano de vingança dos Sefiras com todas as criaturas vivas, e seus habitantes não toleram nenhum intruso, mesmo se forem não-vivos. Sati escutava calada, procurando aprender tudo que ouvia. Ela tinha passado toda a sua vida no Submundo, o mundo subterrâneo de Necropia, e não sabia praticamente nada sobre a Superfície. O Necrofagi os seguia de perto, hora passando na frente do cavalo-carniçal Espinhal, hora passando para trás. A criatura já tinha parado de rosnar com ciúmes para Sati e parecia estar se afeiçoando dela. Ou imaginando como seria o sabor da carne da pequena Shem.</p>
<p>Depois de três horas de cavalgada, os três chegaram a uma enorme estrada de pedra.</p>
<p>__Olhe, Sati. Esta é a Estrada Shaid-kalom ou em linguagem comum, a Estrada Gloriosa. É uma das grandes maravilhas que os mortos deram para esse mundo. Essa estrada foi feita por cima das pegadas deixadas pela Legião Imortal de Lorde Thaumiel durante a Marcha da Libertação…Ela circunda todas as dez regiões do continente de Yetzirah em torno do Cinturão das Montanhas Orgs e…Ei, eu estou te chateando com essa história, não?</p>
<p>Sati, que estava na garupa de Espinhal, se esforçando para não cair do cavalo morto-vivo, tentou responder educadamente:</p>
<p>__N-não senhor…E-eu estava olhando as pedras da estrada. Elas são tão negras e parecem ser muito pesadas…Foi feita com o trabalho de escravos vivos, senhor?</p>
<p>Sir Deiphobus sorriu, enquanto saia floresta para entrar na Estrada da Vitória. A estrada estava cheia, como sempre estava principalmente a esta distância de Yzael. O guerreiro Nor procurou achar um lugar atrás de uma enorme carroça de escravos Shem humanos e ravidianos, que se acotovelavam na jaula puxada por um gigantesco Besouro Nithiano, conduzido por um mercador Nor Altkuthiano, que pela vestimenta, parecia vir de Tanir, na montanhosa nação de Yavehir. Ao seu lado, caravanas de mercadores de Yzael passavam com seus carregamentos de partes corporais, deliciosos vermes khols e aves natimortas nirodhinas para os Nors, comida e mantimentos para os Shem, tecidos e tapetes yzaelianos para serem vendidos nas cidades litorâneas do sul de Zohar, prostitutas nithianas para os bordéis de Messalina, entre outras. Virando-se para Sati, Sir Deiphobus respondeu:</p>
<p>__A Estrada Gloriosa foi feita em homenagem à vitória de Lorde Thaumiel sobre os Primevos, e foi um presente dos Alkuthianos e dos Nithianos ao nosso imperador. Ela é mágica, as obsidianas que a compõe foram tratadas alquimicamente para serem indestrutíveis. Há um velho ditado que diz assim: “Mesmo que o Tempo termine, a Estrada Gloriosa vai permanecer e ser usada pelos senhores da realidade”.</p>
<p>Sati olhou para os carregamentos que via. À cerca de duas carroças à frente, ela podia ver uma enorme jaula com cerca de dez indivíduos amontoados. Eram todos Shems, cobertos de sujeira e sangue, e vestindo trapos imundos. A jaula estava sobre uma enorme carroça e o seu peso fazia com que as enormes rodas de metal rugissem um lamento altíssimo, que se somava aos sons vindos das outras carroças que enchiam a Estrada Gloriosa. Ela estava sendo puxada pelo maior besouro negro gigante que ela já vira. O mercador, um Nor obeso sentado ao lado do condutor do besouro, olhava para trás de tempos em tempos, como se quisesse conferir a carga que estava levando. Apesar de estar de costas, Sati podia perceber que o condutor parecia ter antenas! Sua atenção voltou para a jaula de escravos, que era protegida por dois enormes guerreiros a cavalo.</p>
<p>Não eram apenas humanos que estavam dentro da imunda jaula. Para seu assombro, Sati podia ver que entre os humanos, estava uma criatura estranha; era enorme, com cerca de dois metros e meio de altura e ao invés de um rosto, ele tinha uma espécie de máscara, onde não se podia ver o seu nariz. Mas o que realmente assombrou Sati foi o fato de que a enorme e musculosa criatura possuía lâminas saindo da cabeça e dos cotovelos. Inclusive, com o sacolejar da jaula, os demais escravos faziam de tudo para não serem jogados contra as enormes lâminas que saiam dos cotovelos da criatura. Ela estava presa com correntes no fundo da jaula. Sati continuava olhando quando percebeu que a enorme criatura a olhava de volta.</p>
<p>__Ele é um Mordenkai, Sati, a raça principal da nação de Ghimel. Mordenkais selvagens são difíceis de capturar pois a maioria são considerados Gentios, vivos pelo Rei Magnakai de Ghimel, sua terra nata.</p>
<p>__Gentios?__ indagou Sati.</p>
<p>__Shems que são livres, que não possuem nenhum dono Nor. São considerados cidadãos de segunda classe nas Necrópoles, mas ultimamente muitos gentios tem alcançado altas posições dentro da sociedade. Mas não se preocupe Sati, ser uma Devarim é muito melhor. A vida dos vivos é muito dura em uma cidade dos mortos.</p>
<p>Um dos cavaleiros que escoltava a jaula olhou para o Mordenkai, deu-lhe um safanão com o chicote de metal que carregava, que fez com que a enorme criatura urrasse. O Mordenkai se afastou das grades com ódio, esmagando um dos humanos miseráveis nas grades da jaula. O guarda-costas que o tinha castigado, olhou para trás, procurando ver o que tinha atraído a atenção do Mordenkai e seus olhos pousaram em Sati. A garota olhou para o guarda-costas, um enorme guerreiro Nor, vestindo uma armadura de couro negra cheia de placas de metal, com dois crânios cravados de espetos de aço servindo de ombreiras. O guerreiro estava usando uma máscara prateada que cobria os olhos e o seu nariz, deixando uma boca descarnada e pálida descoberta. Os dentes negros como as obsidianas do Submundo apareceram reluzentes, quando o guarda-costas sorriu. Ele gritou algo para o seu parceiro e se aproximou à cavalo de onde estavam Sati e Sir Deiphobus.</p>
<p>__Que bela carne-viva!__ disse para Sir Deiphobus se referindo a Sati__ Ela é de sua propriedade ou você achou no meio do caminho?</p>
<p>Sir Deiphobus, mantendo Espinhal dentro do ritmo da caravana, respondeu laconicamente:</p>
<p>__Sim, ela é minha. Agora vá embora.</p>
<p>O guerreiro puxou o seu cavalo com força, fazendo-o relinchar. Era um cavalo-carniçal como Espinhal, mas parecia mais novo, mais vivo. O guarda-costas continuou:</p>
<p>__Calma aí, cara. Eu não vou roubar essa carne-viva de você…Não se ela for sua, camarada…Ela já tem marca de escrava, não?</p>
<p>Sati,sentada na garupa de Espinhal, sentiu todos os músculos de Sir Deiphobus se retesarem, pouco antes dele responder:</p>
<p>__Ainda não, e ela não é a minha escrava, é minha Devarim.</p>
<p>O guarda-costas olhou para Sir Deiphobus surpreso. Ele era um Nor enorme, quase do tamanho de Sir Deiphobus, e tinha uma grande espada nas costas, com duas lâminas paralelas que se entrecruzavam como serpentes de metal. Sati podia ver as várias placas de metal cravadas no corpo do Nor e pequenas lâminas saindo dos nós de seus dedos. As palavras do ancião sobre os costumes dos Nors vieram a sua mente nesse momento. Ela recordava vagamente informações sobre os rituais de Modificação Corporal dos Nors. Como os não-vivos eram incapazes de sentir dor (sofrendo apenas com fogo e com as garras e o sangue dos Primevos) eles criaram toda uma cultura de colocar metais por todo o corpo. Isso aumentava a letalidade do guerreiro e a sua superioridade perante aos Shems. Os mortos eram apaixonados com os metais.</p>
<p>Repentinamente, o guarda-costas estendeu a sua mão e agarrou o queixo de Sati. Ela sentiu o toque áspero e frio do Nor e suprimiu um grito. O guerreiro riu e disse:</p>
<p>__Há! Eu não vou deixar passar uma carne-viva dessa qualidade! Sem marca, purinha, novinha…</p>
<p>Sir Deiphobus girou o braço e bateu com violência na mão do guarda-costas, fazendo-o soltar o queixo de Sati.</p>
<p>__Não toque nela, seu verme desprezível! Caçadores de Escravos são a ralé da Necrópole! Você não sabe com quem está se metendo? Sou Sir Deiphobus, Capitão da Sexta Patrulha de Cavaleiros Matadeus de Yzael!</p>
<p>O guarda costas sorriu e Sati podia sentir os olhos negros do guerreiro brilhando por trás da máscara. Virando-se para Sir Deiphobus, ele retrucou:</p>
<p>__ Se é assim, eu te desafio para um Shem-Athor! Um cavaleiro tão honrado não pode negar um desafio para decidir a posse de um Shem sem dono e…</p>
<p>SLASHHHHHH! Uma chuva de sangue negro borrifou o rosto de Sati no momento em que a cabeça do guarda costas caía para trás. Sir Deiphobus estava com a Mutiladora desembainhada, e o seu braço estava parado no final do movimento de decapitação que fizera. Girando rapidamente a enorme espada para tirar o sangue negro que a sujava, Sir Deiphobus guardou a Mutiladora no suporte de ferro preso às suas costas.</p>
<p>O corpo do Guarda Costas ainda agarrava com força as rédeas do seu cavalo, tremendo à medida que ia perdendo sangue negro. Alguns segundos depois, o corpo escorregou para o chão, e o cavalo-carniçal, vendo o seu dono completamente mutilado correu rapidamente de volta à carroça de escravos, levando o corpo e deixando a cabeça de seu dono para trás.</p>
<p>O outro guarda costas olhou para Sir Deiphobus e tirou um enorme machado de suas costas. Sir Deiphobus gritou:</p>
<p>__Você tem duas escolhas, verme! Ou você me ataca ou recupera a cabeça do seu amigo enquanto ele ainda tem chance de ser restaurado! Vamos, o que vai ser, cão mercador?</p>
<p>O guerreiro com o enorme machado olhou para Sir Deiphobus e para a cabeça de seu companheiro. Era um Ravidiano Nor, cujas feições bestiais contrastavam com o olhar morto e o tom cadavérico do grosso pêlo que cobria a sua face. Um pêlo cinzento e negro que também aparecia nas aberturas da sua armadura corporal, com certeza feita de escamas de Férrios, os enormes lagartos metálicos das montanhas do norte de Zohar.</p>
<p>O Ravidiano grunhiu, deixando mostrar suas enormes presas. Chicoteando o seu cavalo-carniçal com violência e partiu em direção ao Sir Deiphobus que pensou, enquanto destravava novamente a Mutiladora de suas costas:</p>
<p>“É inútil apelar para a razão de um Ravidiano”.</p>
<p><em>(Continua)</em></p>
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		<title>Almas Torturadas &#8211; Capítulo 05</title>
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		<pubDate>Thu, 07 May 2009 03:01:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Almas Torturadas]]></category>
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		<description><![CDATA[A Restauração Por Newton Rocha __Gostou, hein?__ disse o guerreiro Nor estendido no chão. Sati virou assustada e deixou a arma cair, o que fez com que os dentes metálicos da espada parassem de correr no momento em que atingiu o chão. Ela tinha feito o...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;"> A Restauração<br />
</span></strong></p>
<p>Por <strong><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/">Newton Rocha</a></strong></p>
<p>__Gostou, hein?__ disse o guerreiro Nor estendido no chão.</p>
<p>Sati virou assustada e deixou a arma cair, o que fez com que os dentes metálicos da espada parassem de correr no momento em que atingiu o chão. Ela tinha feito o impossível, tinha matado o gigantesco Verme Kumariano. Os Deuses Selvagens dos vivos estavam olhando para ela.</p>
<p><span id="more-2624"></span><img class="size-full wp-image-2625 alignleft" title="necro_05" src="http://www.inominattus.com/wp-content/necro_05.jpg" alt="necro_05" width="319" height="417" />O Necrofagi se aproximou, mancando de uma pata horrivelmente quebrada e gemendo baixinho. Quando ele viu que o seu dono estava vivo, se é que se pode falar assim sobre os Nors, a criatura manifestou alegria através de pequenos pulinhos e lambeu o rosto de Sir Deiphobus. Este passou a mão na cabeça da criatura e a afastou, procurando levantar o corpo com os braços. Suas pernas tinham sido arrancadas, e com certo esforço, Sir Deiphobus conseguiu se sentar. Sati ainda pensava em como fugiria dali, quando o guerreiro exclamou:</p>
<p>__Não tenha medo, criança. Meu Necrofagi não irá fazer nada com você. Pelo seu jeito, você é um Shem selvagem, provavelmente de algum Clã bárbaro do Submundo de Zohar, estou correto?</p>
<p>Sati apenas olhava para o guerreiro. Ela não podia ver bem o seu rosto, mas a pele branco-acinzentada lhe dava arrepios. E seus olhos negros de pupilas brancas olhavam fixamente para ela. O guerreiro continuou:</p>
<p>__Bem, deixe-me apresentar. Sou Sir Deiphobus Cordovero de Saphed, Capitão da Sexta Patrulha de Cavaleiros Matadeus de Yzael. E você, pequena <em>Shem</em>? Diga-me o seu nome, garota, não é sempre que tenho <em>shems</em> salvando a minha não-vida!</p>
<p>Sati olhou para o guerreiro e para o Necrofagi, que,  ansioso,  parecia aguardar a sua resposta. A criatura ao seu lado parecia sorrir por entre os enormes caninos metálicos, de onde escorria um fio de baba negra. Ela estava completamente perdida mesmo. O que mais ela tinha a perder? O jeito seria tentar agradar esse Nor e esperar uma hora para fugir.</p>
<p>__Meu nome é Sati, senhor.</p>
<p>Sati poderia jurar que o Nor estava sorrindo sob o elmo negro:</p>
<p>__Sati…um belo nome…Significa “Verdade” não? É incrível como os Sefiras mantêm os idiomas dos bárbaros tão próximos ao nosso. Só deuses mesmo para fazer isso. Até me faz querer virar um carola crente como o meu amigo Sir Thamis. Mas sabe como é, Sati, vida de sacerdote de armadura não é para mim não. Adoro os prazeres da minha não-vida! Bem, Sati, preste atenção. Eu vou te dar o título de <em>Devarim</em>, é algo muito importante, viu?</p>
<p>Sati apenas olhava sem falar nada.</p>
<p>__Há! Menina, em Yzael, qualquer <em>Shem</em> mataria por um título desses, por uma honra desse tamanho! Mas como você é um bichinho-do-Submundo, eu te explico: você me salvou demonstrando uma grande valentia e ignorando o medo da morte caracterírstico de sua raça. Como reconhecimento, eu te dou o título de <em>Devarim</em>, ou seja, de minha protegida. Daqui por diante, nenhum outro Nor poderá exigir ter você como propriedade, você é agora de minha responsabilidade. Eu só tenho que… ughnnnn…</p>
<p>Sir Deiphobus se mexeu e segurou uma de suas coxas com suas duas mãos, no ponto onde a suas pernas foram amputadas. O sangue do Verme Kumariano ainda queimava a carne morta do Nor. Sir Deiphobus se virou para Sati e disse:</p>
<p>__Essa droga de sangue de primevo, isso dói para caramba! Garota, pegue a Mutiladora e abra a barriga desse verme desgraçado, por favor…</p>
<p>Olhando para onde Sir Deiphobus estava apontando. A Mutiladora era a gigantesca espada de dois metros e meio que ela usara para matar o monstro. Sati, ainda nervosa com os acontecimentos, pegou a espada e a arrastou até o corpo do monstro. A Mutiladora parecia muito mais pesada agora, sem a Fúria do Clã da Garra Negra inundando o seu corpo. Assim que chegou perto do pedaço do verme onde ela imaginava ser a barriga, ela olhou interrogativamente para Sir Deiphobus.</p>
<p>Adivinhando o que ela estava pensando, ele disse:</p>
<p>__É aí mesmo, Sati. Encoste a espada, puxe uma pequena trava de segurança que tem no cabo e gire a empunhadura interna da Mutiladora três vezes para a direita.</p>
<p>Sati encostou a Mutiladora no torso do verme e fez como o <em>Nor</em> tinha mandado. A espada começou a vibrar e ela viu novamente os dentes da parte de fora da lâmina girarem, percorrendo todo o fio. A espada rapidamente cortou a carne e uma enorme quantidade de víceras escorregou para fora do corpo do Verme Kumariano. Para o horror de Sati, duas pernas enormes, vestidas com grandes botas de metal e couro negro, escorregaram junto com as víceras. A jovem guerreira colocou a mão na boca para não vomitar. As pernas estavam cortadas na altura das coxas.</p>
<p>__Agüente firme, minha Devarim. Essas são as minhas pernas que esse desgraçado engoliu. Pelo visto você o matou antes que ele a digerisse…Tragam-nas para cá.</p>
<p>Sati largou a “Mutiladora” e puxou as duas pernas até onde Sir Deiphobus estava. Ele olhou as pernas com cuidado e disse:</p>
<p>__É, acho que vai dar para usar. Eu não gostaria de ter que esperar os Modeladores da Carne dos Salões dos Corpos procurarem um <em>Shem</em> com pernas grandes o suficiente para mim. Já basta não ter mais nenhum braço original, e ter trocado minhas mãos por mais de cinco vezes. Tenho que me “restaurar” rapidamente antes que eu tenha que gastar muito para comprar novos membros.</p>
<p>Olhando a expressão de horror de Sati, Sir Deiphobus riu e completou:</p>
<p>__Hei, não se assuste com essas coisas, <em>Devarim</em> Sati. Os <em>Nors</em> usam muitos membros dos <em>Shems</em> como peças sobressalentes, quando o nosso corpo fica danificado ao extremo. Você não sabia disso? Eu nem mesmo conhecia esses <em>Shems</em> que me passaram seus membros, os Modeladores são os que cuidam da colheita dos <em>Shems</em>. Nós apenas vamos aos Salões dos Corpos, pagamos uma nota e compramos os membros que precisamos. E pode ter certeza de que não eram boa gente, deviam ter sido ladrões, assassinos ou outra coisa terrível. Uma das leis de Necropia exige que um <em>Nor</em> que receba um membro de um <em>Shem</em> jamais saiba a identidade de seu doador. Bem, agora vamos ver se ainda fico com as minhas pernas originais.E aprenda uma coisa, Sati, os <em>Nors</em> não se “curam”, nós nos “restauramos”…</p>
<p>Sir Deiphobus encaixou as duas pernas arrancadas na parte superior da suas coxas, como se estivesse montando um quebra cabeça com seu próprio corpo. Tirando um cristal negro do tamanho de uma maçã de um dos bolsos de seu cinturão de couro, ele o segurou em seu punho e o manteve em cima do local onde a sua perna arrancada e a sua coxa se encaixava. Sati não falava nada, apenas observava com uma mistura de medo e curiosidade.</p>
<p>__Sati, aprenda algo importante sobre o mundo da superfície. Acredito que o seu Clã deve usar as<em> Amratis</em>, os Cristais Mágicos, não? Azuis para conservar a comida com o frio, vermelhos para acenderem fogos, etc.</p>
<p>Sati balançou a cabeça afirmativamente.</p>
<p>__Pois é, essa<em> Amrati</em> aqui é uma<em> Amrati</em> especial para os <em>Nors</em>. Essa é a <em>Amrati Negra</em>, o único Cristal Mágico que pode regenerar uma criatura não-viva. Preste atenção, pois se um dia eu precisar, eu quero que você faça o que estou fazendo agora.</p>
<p>Sir Deiphobus segurou a <em>Amrati Negra</em> e entoou uma espécie de mantra gutural:</p>
<p>__Ktonoooooooooooooooooooooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrr…</p>
<p>Á medida que ele ia falando o mantra, a <em>Amrati Negra</em> começou a brilhar com uma luminosidade negro-púrpura e a se liquefazer. Sati podia ver que o líquido negro em que se transformara a Amrati continha milhares de vermes que nadavam um sobre os outros. O líquido negro e pegajoso escorria pelas mãos de Sir Deiphobus e caía no vão entre a perna arrancada e a coxa amputada. No momento em que tocava a carne cinza do <em>Nor</em>, os vermes negros começavam a se entrelaçar e a completar a parte da carne que havia sido arrancada e perdida.</p>
<p>Sir Deiphobus fez o mesmo com a outra perna e com os profundos ferimentos que tinha pelo corpo. Os pequenos vermes negros do líquido se entrelaçavam e regeneravam a pele, deixando-a intacta, com apenas uma cicatriz esbranquiçada como uma recordação do ferimento.</p>
<p>Sati também observava que a aparência da pele do <em>Nor</em> ia melhorando à medida que os vermes do líquido da Amrati Negra iam fazendo os seus trabalhos de cura. Em segundos, não havia mais nenhuma indicação dos graves ferimentos que o <em>Nor</em> sofrera e as suas pernas estavam perfeitamente coladas ao seu corpo. Apenas cicatrizes esbranquiçadas marcavam o local dos ferimentos. Sir Deiphobus se levantou e observou as novas cicatrizes que acabara de ganhar, exclamando:</p>
<p>__Esse lance de cicatrizes é que precisa ser melhorado. Depois de mais de oitenta anos de existência estou virando uma cicatriz ambulante, ahahahaha!</p>
<p>Sati continuava calada. Ela estava impressionada, os <em>Nors</em> eram muito superiores aos vivos. Os Anciões da sua tribo estavam certos, os Sefiras os favorecem, os mortos são os favoritos dos deuses. Não havia nenhuma Amrati que ela conhecia que fazia isso com os vivos. Sir Deiphobus continuava falando:</p>
<p>__A droga é que a minha calça agora está com um corte onde aquele verme desgraçado me amputou. Mas deixa quieto, eu vou comprar uma nova para mim hoje, e para você também, Sati. Uma<em> Devarim</em> da família Cordovero tem que andar muito mais apresentável. Você está parecendo um bicho selvagem! Vamos, venha comigo.</p>
<p>__Mas, senhor, eu tenho que voltar para minha tribo…__murmurou Sati.</p>
<p>__Deixe de besteira, menina! Você não sabe onde você está? Esta floresta faz parte dos Campos de Caça de Yzael. Essa área está cheia de Caçadores de <em>Shems</em>, e acredite, você não vai querer cair nas mãos de um daqueles porcos mercenários. E mais, como minha <em>Devarim</em>, eu sou obrigado a cuidar da sua segurança. Deixe de besteiras e vamos para Yzael! Eu saí para tentar repor os escravos que a maldita da minha irmã matou, mas não esperava encontrar um Verme Kumariano tão próximo à capital do Reino. Tenho que reportar isso aos meus superiores e organizar uma expedição, pois esses monstros sempre andam em pares. Mas primeiro eu vou arrumar o nosso transporte.</p>
<p>Segurando Sati pelo braço, Sir Deiphobus andou até uma área perto de onde estava o corpo do verme. No chão, ela viu o cadáver de um cavalo que parecia estar morto há muito tempo. O cavalo de pelos negros estava selado e pronto para ser cavalgado, porém em várias partes de seu corpo a carne estava aberta, expondo ossos e entranhas. O cavalo parecia morto. Parecia, porque no momento em que Sati se aproximou, a criatura abriu os olhos e emitiu um arremedo cadavérico de um relincho. Assustada, ela viu o cavalo morto mover a mandíbula semi-descarnada no reconhecimento de seu mestre, Sir Deiphobus.</p>
<p>__Espinhal, meu velho amigo, aquele monstro te pegou de jeito, hein?__ disse Sir Deiphobus, abaixando para acariciar o cavalo Nor. Rapidamente Sir Deiphobus tirou uma <em>Amrati Negra</em> do bolso e repetiu o procedimento que tinha feito para colar a suas pernas ao seu corpo. O líquido negro cheio de vermes escorreu das suas mãos depois que a Amrati se liquefez, correndo pelo corpo de Espinhal e regenerando os cortes feitos pelo Verme Kumariano. Em segundos, o cavalo se levantou e relinchou de gratidão, enquanto Sir Deiphobus acariciava a sua crina branca.</p>
<p>Subindo em Espinhal, Sir Deiphobus tomou as rédeas e estendeu a mão a Sati, dizendo:</p>
<p>__Olhe, não vou forçá-la, apesar de ter todo direito de fazer. Se você quiser ficar sozinha eu te deixo aí. Acho uma pena, desperdiçar uma <em>Deravim</em> para virar comida de <em>Primevo</em> ou presa dos <em>Caçadores de Shems</em>. Agora, se você decidir vir comigo, eu vou te mostrar um mundo que você nunca imaginou conhecer! Você vai ver que há muitas coisas interessantes além do seu mundinho escuro do Submundo! E o mais importante, você tem que vir comigo para fazer inveja a minha irmã. Ela nunca teve um <em>Devarim</em> na vida, e vai ficar possessa quando souber que eu arrumei um!</p>
<p>Sati olhou para Sir Deiphobus, que gargalhava para si mesmo, e depois olhou para a floresta. Ela jamais encontraria a entrada para o Submundo, ela nunca mais voltaria para sua tribo. E se voltasse, ela não saberia se seria aceita. Realmente não havia escolha. A garota agarrou a mão de Sir Deiphobus e este, em um movimento rápido, colocou-a atrás de si. Sati agarrou o corpo enorme e forte de Sir Deiphobus enquanto ele puxava as rédeas de Espinhal.</p>
<p>__Para casa, Espinhal, e rápido! Já tivemos diversão o suficiente para hoje.</p>
<p>E assim foi Sati para uma nova vida, cavalgando sobre a morte.</p>
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		<title>Almas Torturadas &#8211; Capítulo 04</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 11:30:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Aliança da Vida com a Morte Por Newton Rocha Sati fechou os olhos, sentindo o corpo todo paralisado. O Verme Primevo escancarava sua enorme boca circular para devorar a jovem. A admirável espada que ela tinha cravado no torso do gigantesco verme escorregou de suas...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">A Aliança da Vida com a Morte</span><br />
</strong></p>
<p>Por <strong><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/">Newton Rocha</a></strong></p>
<p>Sati fechou os olhos, sentindo o corpo todo paralisado. O Verme Primevo escancarava sua enorme boca circular para devorar a jovem. A admirável espada que ela tinha cravado no torso do gigantesco verme escorregou de suas mãos, paralisadas com o veneno que vinha dos tentáculos dentados do monstro. Em questão de segundos Sati seria devorada pela criatura. Os vapores fedorentos que saiam do interior da aberração deixavam-na tonta. Murmurando uma prece para Yekub, Deusa Selvagem de sua tribo, Sati entregou o seu corpo para o abraço da morte.<br />
<span id="more-2488"></span><br />
<img class="size-full wp-image-2489 alignleft" title="citacao_necropia2" src="http://www.inominattus.com/wp-content/citacao_necropia2.jpg" alt="citacao_necropia2" width="260" height="342" />Porém, algo fez com que o monstro a soltasse no chão. Ainda tonta e paralisada com o veneno que corria em seu sangue, Sati olhou para cima e viu o seu salvador: a criatura que o Nor chamara de Necrofagi. A criatura, usando seus potentes membros feitos de partes humanas, atacou o Verme. O Necrofagi cravou suas enormes presas de metal no torso do verme, fazendo enormes buracos com suas garras de metal. Dos ferimentos do Primevo saíam jatos de sangue verde que, caindo na pele do Necrofagi, queimavam como ácido. Urrando mais de ódio, o Necrofagi parecia ignorar a dor e continuava o seu violento ataque ao gigantesco verme.</p>
<p>Sati não sentia mais nada e fazia esforço para manter os olhos abertos. Tudo que ela queria era deitar e dormir…Um grito a fez abrir os olhos. Era o Nor.</p>
<p>__Hei! Menina! MENINA!</p>
<p>Sati abriu os olhos e viu, por trás da briga entre o Verme Kumariano e o Necrofagi, o guerreiro Nor se arrastando em sua direção. Era um homem enorme, com um elmo de metal negro, com vários círculos abertos por onde ela vislumbrava os olhos negros de pupilas brancas e a pele pálida e cadavérica características dos não-vivos. Seu corpo estava cheio de cortes profundos, o suficiente para matar qualquer mortal. Suas pernas estavam completamente arrancadas, e o sangue negro dos Nors manchava a carne cinzenta exposta.</p>
<p>Apesar dos movimentos violentos do gigantesco verme, ele parecia incapaz de tirar o Necrofagi de suas costas. A pequena criatura continuava devorando e rasgando o torso do Verme Kumariano, que ainda tinha a enorme espada do guerreiro Nor cravada em seu corpo. Sati apenas gemia, incapaz de mover um músculo. O guerreiro Nor conseguiu chegar perto da jovem guerreira do Clã da Garra Negra e a segurou pelo braço esquerdo. Sati sentiu o toque pegajoso do sangue negro do guerreiro molhando o seu braço. Virando os olhos para o Nor, ela o viu levando a sua outra mão para perto de onde estavam seus lábios sob o elmo. O guerreiro Nor murmurou uma prece, enquanto fazia gestos complicados com a sua mão. A voz rouca e grave do guerreiro chegava aos seus ouvidos como uma canção das trevas, cada palavra acompanhada de um complicado gesto:</p>
<p>__ Haloam Melech Eloheinu Ata Baruch Ner Shem-Binah!</p>
<p>Um brilho negro-púrpura saiu da mão do guerreiro Nor que segurava Sati e começou a se espalhar pelo corpo da jovem. Sentindo o frio e o formigamento envolvendo seu corpo, Sati começou a gritar. A energia negro-púrpura estava tirando as dores e a paralisia do seu corpo, mas a sensação era de que ela estava morrendo, como se o seu corpo estivesse deixando de sentir-se vivo. Tão logo quanto chegou, a sensação desapareceu. Isso livrou seu corpo da paralisia, deixando uma forte dor de cabeça como lembrança do veneno do Verme Kumariano. Instintivamente ela se levantou, olhando para o guerreiro Nor estendido aos seus pés.</p>
<p>Nesse momento, o Verme Kumariano mudou de estratégia, e começou a mover o corpo violentamente, tentando esmagar o Necrofagi contra as enormes e retorcidas árvores da floresta. Depois de dois estrondosos impactos contra as árvores, o Necrofagi não resistiu e acabou se soltando das costas do Verme Kumariano, aterrisando em meio a um grupo de arbustos espinhentos, ao mesmo tempo em que emitia um uivo de frustração. O Verme Kumariano se virou em direção a Sati, e depois de soltar um urro horrendo e altíssimo, atacou com velocidade impressionante a jovem bárbara do Clã da Garra Negra.</p>
<p>Sati se preparou para desviar, porém o grito do guerreiro Nor a desconcentrou:</p>
<p>__Termine o que você começou, garota! Não saia de onde você está!</p>
<p>O Verme Kumariano levantou o seu massivo corpo e fazendo um arco descendente, jogou a sua gigantesca boca em cima da pequena guerreira. Sati, paralisada de medo, reagiu automaticamente ao comando do guerreiro nor:</p>
<p>__AGORA! ROLE EM DIREÇÃO AO VERME E AGARRE A ESPADA, GAROTA!</p>
<p>Sem saber o que estava fazendo, Sati jogou o seu corpo para frente dando uma cambalhota no chão e levantou pegando a espada que ainda estava cravada no torso do enorme verme, no momento em que este batia com sua boca no chão, atrás da jovem guerreira.</p>
<p>O monstruoso peso do verme fez com que a espada entrasse completamente dentro do corpo da criatura, chegando a atravessar até o outro lado. A inércia jogou Sati no chão, mas ela continuava segurando a espada. Desviando o corpo, Sati apoiou o cabo da espada no chão, enquanto o corpo nojento do verme escorregava pela gigantesca lâmina. Uma montanha de carne fedorenta e de sangue verde e pegajoso cobriu a jovem guerreira, chegando a quase sufocá-la. Curiosamente, o sangue verde do verme não a queimava, como tinha acontecido com o Necrofagi &#8211; apenas formigava onde tocava a sua pele. Segurando a espada, Sati tentava usar a lâmina para se libertar daquela prisão de carne, movimentando-a a esmo.</p>
<p>O Verme se retorcia de dor, tentando se livrar da espada que o empalava, mas os seus movimentos estavam ficando cada vez mais lentos. Tomada pelo nojo e pelo desespero por causa do sufocamento, Sati mexia com a lâmina de todas as formas possíveis, até que em certo momento, algo no cabo da espada girou e ela começou a escutar o som de centenas de lâminas cortando a carne do verme. O monstro deu um grito gutural enquanto um jato de sangue verde saía do lado esquerdo da espada. O som das lâminas continuava forte e fazia a espada vibrar na mão da jovem guerreira.</p>
<p>Em questão de segundos a espada cortou o corpo do verme em duas partes e, livre da carne que a tinha prendido, Sati pode ver a origem do estranho som. Tirando a espada ela viu o que estava acontecendo: os dentes metálicos que estavam ao longo da parte de fora da espada corriam pela lâmina como mágica, desaparecendo em uma pequena abertura na parte superior e aparecendo em outra abertura na parte inferior do fio da lâmina.</p>
<p>Sati olhou para o Verme Kumariano, que depois de alguns espasmos finalmente morrera. Ela vencera a sua primeira batalha na superfície.</p>
<img src="http://www.roleplayer.com.br/site/?ak_action=api_record_view&id=2488&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Almas Torturadas &#8211; Capítulo 03</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Apr 2009 03:01:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Almas Torturadas]]></category>
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		<description><![CDATA[O Primevo Por Newton Rocha Sati seguiu a criatura por algumas dezenas de metros, tentando acompanhar os movimentos ágeis do monstro. A criatura pulava entre as árvores com uma velocidade impressionante, e sempre voltava para se certificar de que a jovem guerreira o estava seguindo. À...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">O Primevo</span></strong></p>
<p>Por <strong><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/">Newton Rocha</a></strong></p>
<p>Sati seguiu a criatura por algumas dezenas de metros, tentando acompanhar os movimentos ágeis do monstro. A criatura pulava entre as árvores com uma velocidade impressionante, e sempre voltava para se certificar de que a jovem guerreira o estava seguindo. À medida que entrava na floresta, Sati sentia um frio crescendo em seu estômago. Ela tinha certeza de que a aberração não a estava levando para um local agradável.<br />
<span id="more-2413"></span></p>
<p>À medida que caminhava, Sati notava que a floresta ia mudando de forma. Anteriormente quase morta, com árvores secas e definhando e com muitas árvores mortas-vivas com suas cascas negras e folhas esbranquiçadas, a vegetação começava a aparecer de maneira selvagem e profusa. Ela via um crescimento exagerado da vegetação, com plantas de formatos estranhos e misteriosos compondo a paisagem, assim como flores gigantes que ficavam se movendo como se fossem animais. Era tudo muito estranho, ela nunca vira algo parecido. Quanto mais ela seguia o monstro, o cenário em torno, uma espécie de explosão descontrolada de vida, ia ficando cada vez mais caótico.</p>
<p><img class="size-full wp-image-2414 alignleft" title="trecho_almas_torturadas" src="http://www.inominattus.com/wp-content/trecho_almas_torturadas.png" alt="trecho_almas_torturadas" width="236" height="310" />Sati começou a notar que no chão onde pisava, apareciam pequenos olhos grotescos à medida que passava. Aquilo a deixou aterrorizada pois devia haver alguma magia muito poderosa em ação por aqui. Mais uma vez as palavras dos Anciões do clã da Garra Negra lhe vinham à mente: “Magia, o dom de Tifereth para o nosso mundo, é algo muito perigoso. Apenas os Shamans de nossa tribo sabem lidar com ela. Se você entrar em contanto com ela, lembre-se desse conselho: fuja!”. Só que os Anciões não avisaram o que fazer quando se tem uma criatura de mais de trezentos quilos pronta para te matar se você fugir. Mordendo o lábio inferior, Sati prosseguiu, acompanhando a criatura e tentando não pisar nos olhos e nas eventuais bocas cheias de presas que surgiam espontaneamente no chão.</p>
<p>De repente, Sati escutou um rugido, seguido dos sons inegáveis de uma fera se alimentando. Sati procurou prosseguir, passando pelas plantas surreais que surgiam sob seus pés e se enroscavam em seu corpo como serpentes. Com certo esforço, Sati chegou até uma clareira, e o que viu fez o seu coração parar no seu peito.</p>
<p>Ali estava o foco da magia caótica que causara o crescimento selvagem da floresta ao seu redor. Uma enorme criatura com o aspecto de um verme translúcido e fosforescente estava devorando partes do corpo de um enorme homem caído. A criatura possuía uma cabeça horrenda e circular, com quatro tentáculos-membros se distribuindo na parte inferior de um disco de três metros de diâmetro, cheio de centenas de dentes dispostos em raios e ostentando, na parte superior, duas enormes presas colocadas entre dois olhos vermelhos e brilhantes. O seu corpo principal, de cerca de dez metros de comprimento, era meio-transparente. Sati podia ver a perna da vítima descendo pelo trato digestivo do verme. A criatura estava devorando a parte inferior do homem que, inacreditavelmente, estava consciente e tentava se arrastar para longe do monstro.</p>
<p>A vítima estava vestida de um modo que Sati jamais vira. Ele usava uma armadura de metal negra, que parecia estar cravada na superfície de sua pele pálida e cheia de cicatrizes, ou melhor, costuras. A pele pálida indicava a sua origem: era um Nor, um dos não-vivos!<br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-2415" title="primevo" src="http://www.inominattus.com/wp-content/primevo.jpg" alt="primevo" width="509" height="419" /><br />
O Nor estava usando um elmo estranho, de formato esférico com várias aberturas circulares e com três lâminas cravadas em cima, como uma coroa bélica. O elmo estava ligado a uma corrente que terminava cravada no torso do Não-Vivo e parecia estar preso no seu maxilar. O guerreiro tentava em vão socar a enorme cabeça do verme com suas mãos, mas o monstro parecia não sentir nada. Apesar da sua armadura, todas as vezes que o verme encostava em sua pele, um fogo branco-azulado surgia repentinamente do contato, e isso fazia com que o guerreiro gritasse.</p>
<p>Sati não sabia o que fazer. Ela olhou para a criatura que a guiara para esse lugar, provavelmente uma espécie de cão do guerreiro. A criatura olhava para ela ansiosa, como se esperasse que ela ajudasse o seu mestre. Depois de alguns segundos, impaciente, a criatura pulou em direção ao gigantesco verme. Uma barreira de energia azulada se ergueu, saindo de um círculo místico que brilhou em torno do verme e de sua vítima. A criatura que guiara Sati até o local bateu na barreira de energia e, com uma enorme explosão, foi jogada a mais de dez metros do local, caindo fumegante em meio a uma moita de plantas caóticas.</p>
<p>O guerreiro olhou em direção a Sati e gritou:</p>
<p>__Hei! Menina! ARGH! Vai me ajudar ou vai ficar olhando eu ser devorado por esse Primevo? AAAARGH! Eu não vou durar muito tempo, e (argh!) Vermes Kumarianos nunca se satisfazem com uma refeiçãozinha leve como eu! AAAAAAARRGGGGHH!</p>
<p>Sati olhava para os lados. O enorme verme parecia estar apenas interessado em sua presa. A jovem guerreira podia ver um círculo energético azulado de runas místicas que girava no chão em torno do verme e sua vítima. O guerreiro agonizante, como que adivinhando o seu pensamento, gritava, a voz abafada pelo capacete de metal negro:</p>
<p>__Não tenha medo (aaarrgh!), esse círculo mágico funciona apenas com mortos-vivos como eu e o meu Necrofagi. Esses (AAARRGGHH!) malditos vermes primevos o usam para se alimentar em paz, mesmo em meio à um campo de (argh!) batalha! Agora aja, menina, pois depois que ele me devorar, é a sua carne que ele vai querer! AARRGHH!!!!!</p>
<p>__O que eu faço?!?__gritou Sati.</p>
<p>O verme kumariano arrancou totalmente a perna esquerda do guerreiro, que gritou. O Necrofagi começou a se recuperar, e a sair cambaleante da moita onde tinha aterrisado. O guerreiro gritou:</p>
<p>__Minha espada (ARGH!), pegue a minha espada! Ela está (argh!) ali, perto daquela árvore!</p>
<p>Sati correu os olhos pelo lugar e viu, cravada no chão, uma admirável espada, quase do seu tamanho. A arma tinha uma lâmina larga e estranhos desenhos cravados na empunhadura. A espada era dentada em um dos lados de sua enorme lâmina, enquanto o outro lado parecia extremamente afiado. Ao longo da lâmina, ela podia ver runas levemente cravadas em baixo relevo. Sati correu para a espada. Porém, no momento em que a segurou, não conseguiu tirá-la do chão. A espada era muito pesada para ela.</p>
<p>__AAAAAAAAAAAARGGHHHHHHH!</p>
<p>Os gritos do guerreiro aumentavam. Sati olhava para o verme com aflição e depois para a gigantesca espada. Ela tentava puxá-la com todas as suas forças, mas a lâmina não saía do lugar, não se movia. O guerreiro iria morrer e seria sua culpa. Ela sabia que ele era um Não-Vivo, um dos que tinham expulsado sua tribo para o Submundo, para baixo da superfície, mas ela tinha que fazer algo.</p>
<p>Sati fechou os olhos com força, e se lembrou dos ensinamentos dos anciões sobre a Fúria, a principal arma dos Guerreiros do Clã da Garra Negra. Eles diziam que a Fúria tinha sido um presente do deus Kether para o clã, uma marca que o sagrado sefira deixou nos seus filhos mais selvagens. A Fúria era o eco da raiva dos deuses, o eco do desejo de vingança dos deuses assassinados.</p>
<p>A jovem guerreira sentiu a energia da Fúria dentro de sua alma, como uma bola de fogo de pura raiva. Usando os gritos de dor do guerreiro, que enchiam os seus ouvidos, ela deixou a raiva subir até a superfície de sua consciência, deixando-a explodir em sua mente e infundir o seu corpo com uma energia sobrenatural.</p>
<p>Sati abriu os olhos, agora brilhando com a energia rubra da Fúria e agarrou a gigantesca espada. Porém, o Verme Kumariano sentira a mudança na jovem guerreira e interrompendo o seu banquete, soltou um urro ensurdecedor e atacou Sati, modificando o seu corpo rapidamente para cobrir a distância que o separava da jovem guerreira.</p>
<p>Ela estava de costas para o ataque do verme gigantesco. Porém, a Fúria a fazia sentir a aproximação do monstro. Com um grito de guerra, a pequena guerreira tirou a enorme espada do chão e a levantou para trás de sua cabeça, empalando o verme no momento em que este ia dar o bote. O verme urrou e retrocedeu, com os tentáculos em torno do enorme disco de carne e dentes que era a sua boca, tentando arrancar a espada cravada em seu torso. Sati, ainda sob o efeito da Fúria, girou o corpo e ficou de frente para o verme, agarrando a colossal espada e puxando-a para cima, procurando cortar o monstro em dois pedaços.</p>
<p>A criatura urrava de dor. Desistindo de tentar tirar a espada de seu torso, começou a atacar Sati com os seus tentáculos. Cada um deles possuía uma espécie de boca dentada em suas extremidades, e cada vez que atacavam Sati, eles mordiam, uma mordida ardente e extremamente dolorida. Sati, ainda imersa na Fúria, não notava os ataques e continuava tentando puxar a espada para cima. Porém, uma dormência foi tomando conta de seus membros, e ela foi sentindo o seu corpo se paralisando lentamente.</p>
<p>A Fúria foi esvaindo do seu corpo à medida que o veneno do verme kumariano ia fazendo efeito. Ela estava consciente, e quase conseguiu evitar o grito quando a criatura levantou-a com seus tentáculos, para devorá-la inteira, de uma só vez.</p>
<p>“Então é assim que eu vou morrer…”, pensou a jovem guerreira.</p>
<p>(Continua)</p>
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		</item>
		<item>
		<title>Almas Torturadas &#8211; Capítulo 02</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Apr 2009 15:00:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Perdida entre as Feras Por Newton Rocha No meio da floresta, uma jovem garota andava a esmo. O local era completamente estranho para ela. A garota estava vestida em uma confusão de peles de couro. Sua vestimenta também tinha pedaços de madeira, talhada e desenhada com...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: xx-large;"><strong>Perdida entre as Feras</strong></span></p>
<p>Por <strong><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/">Newton Rocha</a></strong></p>
<p>No meio da floresta, uma jovem garota andava a esmo. O local era completamente estranho para ela. A garota estava vestida em uma confusão de peles de couro. Sua vestimenta também tinha pedaços de madeira, talhada e desenhada com os símbolos de seu clã, cobrindo os ombros e o peito. A armadura tinha sido feita para uma pessoa de maior porte, o que dificultava os movimentos da garota. Seu cabelos curto, de cor castanha-escura , emoldurava um rosto pequeno e decidido. Seus dois grandes olhos verdes olhavam apreensivos para todos os lados da floresta, expressivos em meio à tatuagem facial de seu clã. Nas suas costas balançava um pequeno arco feito de ossos enquanto ela apertava uma pequena espada de obsidiana que levava na mão direita. De uma coisa ela tinha certeza.</p>
<p><span id="more-2177"></span>Ela estava perdida.</p>
<p>_É Sati, parece que dessa vez você realmente se encrencou!_ disse para si mesma, enquanto olhava frustrada para a floresta. Não havia nenhuma entrada para o Submundo por ali.</p>
<p>A jovem guerreira do clã da Garra Negra quebrou a principal lei de sua tribo: ela tinha subido à Superfície, a Terra dos Mortos. Para sua tribo era como se estivesse morta. Ninguém iria vir buscá-la. Ela estava sozinha.</p>
<p>Durante o tempo que estivera na superfície, Sati não vira nenhuma caça decente, nenhum animal que pudesse matar e levar de volta para a tribo. Os Anciões repetiam sempre que o mundo da superfície não tinha mais nada para os vivos, que era governado pelos mortos e ameaçado pelos monstros antigos. Eles diziam que apenas os Deuses, os sagrados Sefiras poderiam mudar essa situação, só eles poderiam devolver a terra de volta para os vivos. Mas os Sefiras tinham ódio dos vivos. Os Deuses estavam se vingando dos vivos, dando Ereth, o mundo de Aum Soph para os mortos. A marca da vingança dos Deuses maculava o céu de Ereth, na forma de um Buraco Negro que devorava Shemesh, o Sol Vital. Uma vingança contra os vivos que mataram os Deuses uma vez. Tudo que restou à sua tribo era viver pedindo misericórdia aos Sefiras pelos pecados dos antepassados.</p>
<p>Mas Sati não acreditava em nada disso.</p>
<p><img class="size-full wp-image-2178 alignright" title="011" src="http://www.inominattus.com/wp-content/011.png" alt="011" width="242" height="304" />Ela sempre achou que essas lendas eram como histórias para crianças, lendas criadas para evitar que os vivos retomem seu lugar na superfície. Porém todos os guerreiros do Clã da Garra Negra tinham que obedecer os Anciões, sem questionar. Mesmo com grande parte do clã definhando no Submundo, morrendo por causa da escassez de alimentos, por causa das doenças subterrâneas, por causas dos monstros que constantemente atacavam o clã. A palavra dos Anciões era lei para os guerreiros Garras Negras.</p>
<p>Mas Sati não era considerada uma guerreira pelo seu clã. Não tinha direito de portar uma arma, não tinha direito de caçar. Apesar de todo o seu treinamento, apesar de ser uma das melhores lutadoras que a tribo possuía, ela era uma Maternal, uma mulher destinada à procriação, ao papel de esposa.Destinada à impotência.</p>
<p>Mas isso tudo iria mudar, se ela voltasse para o Submundo com uma generosa caça. Com certeza.</p>
<p>Sati olhou para a floresta em sua volta. Aquela era a segunda vez que subira a Superfície. Na primeira vez que estivera na Superfície, ela tinha ido junto com a tribo. Tinha estado em uma floresta parecida, quando fizera o Rito de Passagem há cerca de dois invernos atrás. O Rito que selou o seu destino, o dia em que a tribo iria ou não aceitá-la como uma guerreira. Ela se lembrava de Ramash, o seu irmão mais velho, olhando para ela com orgulho, certo de que ela iria passar com louvor no Rito, certo de que ela seria uma das melhores guerreiras que a tribo teria, e quem sabe, uma futura líder.</p>
<p>E ela estragou tudo.</p>
<p>Ela se lembrava do Não-Vivo que a tribo capturou para o seu Rito de Passagem, o ser que os anciões chamavam de Nor. Ela se lembrava do combate da iniciação, o olhar de desespero do Não-Vivo no momento em que ela iria decapitá-lo. Ela se lembrava do que ela sentiu, mesmo com todos os ensinamentos dos Anciões, mesmo com todo o treinamento com seu irmão, mesmo sabendo que os Não-Vivos não mereciam existir…Ela achou aquilo errado e isso custou sua identidade. Jamais seria uma guerreira.Mas isso mudaria, pensava, se ela salvasse a tribo da fome. Ela tinha decidido caçar na superfície.</p>
<p>Péssima idéia.</p>
<p>Sati escutou um barulho vindo de uma área ao seu lado direito. Ela pegou a sua pequena espada de obsidiana e a colocou na posição de combate. A floresta estava muito escura, a Lua Quebrada Ossiani e o seu Fragmento Erynae brilhavam no céu, o seu brilho pálido iluminando fracamente a floresta. Os olhos verdes de Sati, adaptados às trevas do Submundo, enxergavam claramente o vulto em meio aos arbustos. Parecia um animal de grande porte, um urso atroz ou um…</p>
<p>A criatura saiu dos arbustos repentinamente, pulando em cima de Sati em um ataque sobrenatural. A jovem bárbara reagiu instintivamente, pulando para o lado e tentando manter o seu equilíbrio. A criatura atingiu a arvore que estava atrás de Sati com um enorme estrondo, jogando uma chuva de farpas de madeira em suas costas.</p>
<p>Sati se recompôs e ficou de frente para a criatura. Era uma coisa horrenda, o que fez suas pernas tremerem. Sati estava acostumada com os monstros do Submundo, mas nunca tinha visto algo parecido. A criatura tinha o tamanho de um urso atroz, porém seu corpo era uma massa compacta envolvida por tiras de couro negro. Além disso ela tinha placas e esporões de metal encravadas em seu dorso. Uma crista de ossos deformados de sua coluna vertebral saia da base de sua cabeça e percorria suas costas até terminar em um arremedo de rabo. A coisa se erguia sobre quatro patas, ou melhor, quatro braços humanos costurados em seu corpo e envolvidos com couro negro e metal. Nos locais onde aparecia a sua pele, Sati podia ver o branco cinzento característicos dos Não-Vivos. Veias que pulsavam com o sangue negro dos Malditos se delineavam por baixo da pele morta da criatura. A criatura virou sua enorme cabeça, uma gigantesca boca cheia de dentes metálicos, deformando o que teria sido uma cabeça humana que tivera os olhos e o nariz cobertos com uma placa metálica escura.</p>
<p>Da boca da criatura escorriam fios negros do sangue dos não-vivos, e Sati via cortes profundos em todo o seu corpo. A guerreira recuava, tentando transformar o seu medo em uma estratégia de fuga. Não podia lutar contra uma coisa dessas. Porém antes que Sati pudesse correr, a criatura pulou novamente, caindo por cima dela e jogando-a no chão.</p>
<p>A enorme boca do monstro estava agora a centímetros do rosto de Sati. A criatura estava em cima dela prendendo-a no chão com suas fortíssimas patas-braços, como uma fera esperando para dar o golpe final em sua vítima. Sati reagiu, gritando e cravando sua espada na criatura através das brechas entre as tiras de couro negro que envolviam o seu torso. Porém a abominação não expressou nenhuma dor, apenas arfava e emitia sons guturais, cheirando a sua presa. O sangue negro molhava o rosto da jovem guerreira, e o cheiro horrendo que vinha do interior do corpo do monstro quase a fez desmaiar. O peso da criatura também era insuportável.</p>
<p>__Acabe logo com isso!__ gritou Sati.</p>
<p>A criatura mordeu o seu ombro, porém atingiu apenas a proteção de madeira. Saindo rapidamente para o lado, a criatura, ainda com a armadura de Sati firme entre os seus dentes enormes, começou a arrastá-la em direção aos arbustos de onde tinha vindo. O monstro a arrastava como se Sati não tivesse peso nenhum, e a guerreira tentava em vão se segurar nas pedras e nas raízes que via pelo chão.Foi então que teve uma idéia.</p>
<p>O monstro a puxava cada vez mais rápido. Sati soltou as amarras de sua armadura e na hora que ela se desprendeu do seu corpo de seu corpo, a jovem bárbara rolou rapidamente para longe da criatura. A criatura levou alguns segundos para notar que sua presa tinha escapado, mas Sati já tinha começado a correr. Porém a criatura era muito mais rápida que a jovem guerreira. Antes que Sati pudesse escapar, a criatura deu alguns pulos enormes em direção às árvores e usando seus troncos como apoio, rapidamente aterrisou em frente a Sati.</p>
<p>__Droga! Me larga! Olha que agora eu estou preparada, você não vai me pegar tão fácil quanto da outra vez!__gritou Sati para a criatura, tentando pegar o pequeno arco de osso que estava em suas costas. Sua espada ainda estava encravada no torso do monstro, e agora ela rezava para que o seu pequeno arco não tivesse quebrado com a sua queda.</p>
<p>A criatura rosnava e se aproximava de Sati. Porém não fazia nenhum movimento de ataque. Sati pegou o arco e rapidamente carregou uma de suas flechas, mirando em direção da cabeça do monstro. Porém, a criatura se aproximava lentamente, com a cabeça baixa e rosnando.</p>
<p>__O que você quer? Por Binah, eu estou falando com um monstro…Sati, você ta ficando doida menina!</p>
<p>A criatura soltou uma espécie grotesca de latido e virou a cabeça para o lado onde tinha arrastado a jovem guerreira. Sati mantinha o arco esticado.</p>
<p>__O que você quer? Tem algo por ali? É isso?</p>
<p>A criatura respondeu com outro latido grotesco.</p>
<p>Logo depois ela começou a caminhar lentamente em direção aos arbustos de onde tinha entrado e parou olhando para Sati e emitindo outro latido estranho, uma mistura de sons guturais e gritos cavernosos. O seu rabo de ossos espinhais balançava de um lado para o outro.</p>
<p>__Se eu não for com você, você acaba me matando, certo?</p>
<p>Outro latido de resposta.</p>
<p>Sati suspirou. “É dessa vez menina, você realmente estragou tudo”, pensou enquanto seguia a criatura, ainda com o arco armado em sua mão. A cada passo, Sati sentia que se afastava cada vez mais de sua tribo. Sua vida estava nas mãos de um monstro dos Não-Vivos. Ela sentia, que ao seguir a criatura sua vida mudaria para sempre. Era como os anciões diziam: “Em sua Sagrada Vingança os Sefiras determinaram que os Mortos guiariam os Vivos”. Ela finalmente entendera essa frase.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2015" title="necropia-selo-trasnparente" src="http://www.inominattus.com/wp-content/necropia-selo-trasnparente.png" alt="necropia-selo-trasnparente" width="300" height="296" /></p>
<img src="http://www.roleplayer.com.br/site/?ak_action=api_record_view&id=2177&type=feed" alt="" />]]></content:encoded>
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		<title>Almas Torturadas &#8211; Capítulo 01</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 03:01:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Necropia]]></category>
		<category><![CDATA[Almas Torturadas]]></category>
		<category><![CDATA[Conto]]></category>
		<category><![CDATA[Nitro]]></category>

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		<description><![CDATA[Ajuda Fraterna Por Newton Rocha Existem incontáveis dimensões, incontáveis mundos na complexa estrutura que chamamos de Realidade. Em um desses planos existe um mundo muito diferente do nosso. Um mundo que foi criado a partir do Olho de um Deus Supremo, um mundo que foi povoado...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: xx-large;"><strong>Ajuda Fraterna</strong></span></p>
<p>Por <strong><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/">Newton Rocha</a></strong></p>
<p><em><strong><a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/newtonrocha.wordpress.com');" href="http://newtonrocha.wordpress.com/"></a></strong>Existem incontáveis dimensões, incontáveis mundos na complexa estrutura que chamamos de Realidade. Em um desses planos existe um mundo muito diferente do nosso. Um mundo que foi criado a partir do Olho de um Deus Supremo, um mundo que foi povoado por Deuses Selvagens filhos do Vazio, um mundo onde os Sefiras, os filhos do Deus Supremo brigam para purificá-lo e devolvê-lo para o Sagrado Corpo do seu Criador.</em></p>
<p><span id="more-3712"></span><em><br />
</em></p>
<p><em>Porém, os Sefiras não contavam com a traição das raças que eles mesmo tinham criado para povoar este mundo. Eles não contavam que seriam assassinados pelos seus próprios filhos. E os seus filhos não contavam que os Deuses Assassinados voltariam da morte e se vingariam de suas próprias criações.</em></p>
<p><em>Este mundo é Ereth, uma terra amaldiçoada pelos próprios Deuses que a criaram. Uma terra onde os Nors, os Não-Vivos governam e controlam os Vivos sob as bênçãos de Deuses Vingativos. Uma terra onde os Vivos, ou Shem, são caçados para servirem de escravos, de diversão e até mesmo de alimento para os Mortos.Uma terra onde os Mortos se organizaram em hierarquias decadentes e centenárias, vivendo em Necrópoles construídas para favorecer os mortos e torturar os vivos. Uma terra onde os Mortos seguem um sonho, a criação de uma utopia para os não-vivos, onde se completaria o plano divino de vingança: a morte de toda a Criação.</em></p>
<p><em>Uma terra também conhecida como….</em></p>
<p><em>NECROPIA…”</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: large;"><strong>Capítulo 1</strong></span></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: xx-large;"><strong>Ajuda Fraterna</strong></span></p>
<p>Ele o chamou como se chama a um cão ou a um Krenshar de estimação dos Mordenkais, os Mestres das Lâminas. Porém a criatura não queria vir, estava mais interessada nas centenas de corpos que estavam espalhados por todos os lados. Eles estavam destroçados demais, não dariam para serem Servos-Canibais, e mesmo os Modeladores de Carne não aceitariam esses membros decepados em péssimas condições.</p>
<p>Sir Deiphobus olhava em torno da Câmara de Treinamento e viu o estrago que sua irmã tinha feito nas reservas de escravos de sua família. Se seu pai soubesse do que tinha acontecido, seria o inferno tanto para ele quanto para sua irmã. Sorte deles que o velho Barão Ferthus estava viajando em uma missão diplomática para o Imperador, o que daria tempo para concertar o prejuízo causado por sua irmã. Droga de garota mimada, pensava Sir Deiphobus.</p>
<p>A criatura que entrara na sala de treinamento com Sir Deiphobus continuava examinando os restos do treinamento de Valshea, lambendo o sangue que tingia o chão metálico com um vermelho vivo. Era um monstro grande como um lobo atroz das Florestas Canibais. Andava em quatro patas, ou melhor, quatro braços humanos modelados para parecerem com patas, as duas dianteiras terminando em enormes garras metálicas, implantadas em seus ossos. O corpo, forte e deformado, estava envolvido em várias tiras de couro e placas de ferro. A face da criatura era uma enorme boca com presas de ossos revestido de metal, compondo uma visão aterradora junto com a enorme placa de ferro cravada em seu crânio. A placa cobria o local onde deveriam estar os olhos da criatura. A criatura era um Necrofagi.</p>
<p>Sir Deiphobus distraiu-se olhando para a criatura, recém fornecida a ele pelos Modeladores. Os Necrofagis eram excelentes companheiros nas caçadas, tanto de escravos como de demônios primevos, e observando a criatura que os Modeladores de Carne tinham lhe enviado, ele notava uma certa semelhança com sua própria pessoa. O Necrofagi era muito forte e letal, e tinha partes de seu corpos criadas a partir da própria carne de Sir Deiphobus, uma garantia de lealdade total.</p>
<p>O Necrofagi finalmente olhou para ele e sua gigantesca boca cheia de dentes metálicos soltou uivos estranhos, enquanto movimentava os quatro membros musculosos que saíam das tiras de couro negro e placas de aço que envolviam seu corpo musculoso. Um sangue negro e borbulhante vazava das lâminas recém-implantadas e a criatura ainda exalava o cheiro forte das poções de preservação dos Modeladores. Era um Necrofagi magnífico, digno de um Cavaleiro Matadeus como ele, pensava Sir Deiphobus. A criatura fitava-o e voltava a olhar os restos de carne espalhados pela câmara.</p>
<p>Sir Deiphobus podia adivinhar o que a criatura estava pensando. Estava fazendo sua primeira distinção entre as coisas vivas e as coisas mortas. Só que a criatura precisava saber que nem ela e nem ele estavam vivos. Eles existiam, se movendo graças aos Deuses e à energia negativa, a energia da morte com que eles banhavam o mundo. Eram Nors, filhos de Ktonor, o Deus do Vazio cujo Olho observa Ereth como um buraco negro eternamente nos céus, uma espiral negra que devora tudo que vive e anima tudo que morre. Eles eram osNão-Vivos. A criatura se aproximou de Sir Deiphobus.</p>
<p>- Isso mesmo… &#8211; murmurou o Cavaleiro Matadeus, afagando a cabeça deformada e cinzenta do Necrofagi, evitando encostar nas afiadíssimas lâminas que estavam cravadas em seu enorme boca como uma cabeleira de metal &#8211; …eles estão mortos. Eles não servem mais para nós. Agora vá e devore todos estes restos antes que apareça mais alguém…vai!</p>
<p>Obediente, o Necrofagi partiu para cima dos cadáveres e começou a devorá-los com sofreguidão. Sir Deiphobus soltou um suspiro. Mais uma vez tinha que limpar a sujeira de sua irmã, Verótika. Ele sabia que os Magistratos, que regulavam as leis permitidas dentro de uma Necropia, jamais permitiriam um desperdício tão grande de Shems; os vivos estavam ficando cada vez mais escassos em Yzael. Porém, para uma estrela do Necrobol tudo era permitido, principalmente quando se tratando da principal atacante-mutiladora dos Degoladores Vermelhos, a equipe mais famosa de Yzael. Além disso, Verótika ainda era a jogadora favorita da Princesa Imaculatta, da corte dos mortos de Yzael. Verótika tinha que treinar, mas gastar a reserva de escravos familiares com isso era terrível. Ela já não tinha os Refugos, escravos que não serviam mais, para treinar na sede dos Degoladores Vermelhos? Mas não, é claro que Verótika tinha que ser diferente de todo mundo, ela tinha que treinar em casa, aproveitando o fato de que seu pai, o Barão Ferthus, estava fora, nas perigosas Terras de Fronteira.</p>
<p>“Ele vai ficar uma fera”, pensava Sir Deiphobus sobre o seu pai, com a certeza de que se ele e sua irmã estivessem realmente vivos, o seu pai certamente os exterminaria depois de saber que toda a reserva de escravos da família tinha sido destruída por um capricho de sua filha.</p>
<p>Deiphobus sabia que o massacre dos escravos era um indício que sua irmã estava nervosa com o próximo jogo, a final regional contra os Mutiladores de Messalina. “A desgraçada podia perder”, pensava Sir Deiphobus, observando o Necrofagi que já estava terminando a limpeza do salão de treinamento de Verótika.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-2018" title="necrofagi2" src="http://www.inominattus.com/wp-content/necrofagi2.jpg" alt="necrofagi2" width="346" height="248" /></p>
<p>O Necrofagi ainda tentava achar mais pedaços de carne morta quando Sir Deiphobus, puxando uma das correntes que se dependuravam na entrada da câmara de treinamento, fez soar os sinos de crânios que chamavam os criados. A sua família possuía apenas criados vivos, usando apenas uma velha serva-carniçal como governanta. Os criados vivos eram muito mais expertos que os servos-carniçais que a lei da Necropia exigia que fossem usados, mas para evitar problemas, a família mantinha uma serva-carniçal como governanta da mansão. E foi justamente Odda, a velha Serva-Carniçal que estava na família a mais de duzentos anos, que entrou, acompanhada de duas criadas shems.</p>
<p>As criadas Shems olhavam aterrorizadas para a sala, mas as presenças de Sir Deiphobus as fizeram esquecer dos parentes que pereceram na câmara de treinamento. Um escravo Shem era de total propriedade de seu mestre Nor e as criadas sabiam disso: se o destino deles fosse morrer por um capricho de sua dona Nor, esse era o destino desejado pelos Sefiras, os sagrados deuses de Ereth.</p>
<p>Sir Deiphobus se virou para a governanta Odda e disse:</p>
<p>- Vou sair para caçar escravos nas florestas às margens do Rio Theras. Diga à incompetente da minha irmã que se eu não tiver sorte, serão as Amratis da reserva pessoal dela que irei usar para comprar as reposições do nosso acervo. Devo ficar fora por cerca de três dias, e voltarei antes do joguinho dela. Entendeu tudo Odda?</p>
<p>A velha Serva-Carniçal olhou para ele com o seu único olho morto, pálido e cinzento depois de centenas de anos como uma Não-Viva. Os Servos-Carniçais não eram muito inteligentes, mas obedeciam muito bem as ordens de seus mestres. Oda murmurou, sua pele morta se esticando em seu rosto, mostrando partes interiores de sua mandíbula:</p>
<p>- Sim, Mestre Deiphobus…</p>
<p>O Cavaleiro Matadeus pegou a enorme espada dentada que estava encostada em uma das paredes de seu quarto assim como um suprimento de Amratis Negras e saiu. Ele não costumava levar muitas Amratis Negras, os cristais negros mágicos capazes de restaurar o corpo de um não-vivo, pois sempre confiava em sua própria habilidade. Sua armadura estava bem ajustada em seu corpo, todas as placas devidamente cravadas em sua carne morta, e os espetos metálicos se projetando de suas obreiras ainda muito afiados, desde a última expedição. Colocando o seu capacete de aço, cheio de aberturas circulares, e vestindo a sua armadura e o kilt de couro negro, Sir Deiphobus chamou o seu Necrofagi. A criatura se aproximou sorridente. Sir Deiphobus saiu da mansão de sua família e pegou a sua montaria, o cavalo-carniçal que sua irmã tinha lhe dado no dia de sua ordenação dentro da Ordem Matadeus.</p>
<p>Sir Deiphobus partiu para as florestas que circundam a Necrópole de Yzael. Ele iria sozinho dessa vez, caçar vivos para concertar os erros de sua irmã. Não queria envolveu o seu grupo de caça, os Cães Raivosos, nesse problema particular. Pela primeira vez, Sir Deiphobus iria capturar Shems selvagens não por prazer, mas por ódio. “Vai ser difícil trazer algum vivo”, pensava enquanto disparava com seu cavalo-carniçal, sendo acompanhado de perto pelo ávido e alegre Necrofagi.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2015" title="necropia-selo-trasnparente" src="http://www.inominattus.com/wp-content/necropia-selo-trasnparente.png" alt="necropia-selo-trasnparente" width="300" height="296" /></p>
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		<title>A Volta de Necropia &#8211; Introdução</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Mar 2009 14:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Necropia]]></category>
		<category><![CDATA[RPG]]></category>
		<category><![CDATA[Almas Torturadas]]></category>
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		<description><![CDATA[Não se pode matar o que já está morto Por Newton Rocha Necropia está de volta! Nos últimos tempos, voltando a jogar e a escrever sobre RPG com mais frequência, resolvi retomar o meu projeto mais antigo e carinhoso, o Mundo de Necropia. Criado no...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Não se pode matar o que já está morto</span></strong></p>
<p>Por <strong><a href="http://newtonrocha.wordpress.com/">Newton Rocha</a></strong></p>
<p>Necropia está de volta! Nos últimos tempos, voltando a jogar e a escrever sobre RPG com mais frequência, resolvi retomar o meu projeto mais antigo e carinhoso, o <strong>Mundo de Necropia</strong>. Criado no final dos anos 90 para o Sistema Daemon, Necropia era apenas o meu mundo de campanha para os meus jogadores, um mundo com uma premissa básica, ser tão dark quanto Ravenloft e tão pauleira em termos de sobrevivência quanto Dark Sun.</p>
<p><span id="more-2009"></span>Assim vou publicar aqui no <strong><span style="color: #ff0000;">I</span>nominattus</strong> e também no<strong> <a href="http://newtonrocha.wordpress.com/">NitroDungeon</a></strong> a crônica &#8220;Almas Torturadas&#8221;, para reativar o cenário;</p>
<p>Necropia ficou conhecida durante o auge da era d20, quando conseguimos até lançar uma aventura na saudosa D20 Saga, a &#8220;Invasão de Necropia&#8221;.  Porém, após esse tempo, Necropia voltou para as sombras enquanto minha tese de Mestrado em Literatura Inglesa (Ficção Científica , é claro!)  sugava toda a minha energia vital. Após a tese, uma série de outros projetos tomaram a minha atenção e Necropia ficou nas catacumbas da minha mente doentia. Mas como aquilo que não está vivo não pode morrer, Necropia está voltando a ativa novamente.</p>
<p>Necropia, o mundo onde se passa Almas Torturadas, foi criado inicialmente como um cenário de RPG de fantasia gótica e terror. Eu sempre gostei muito do gênero de terror quando aplicado na fantasia e comecei a jogar RPG em Ravenloft (lá pelos idos de 1989), um cenário de terror e fantasia gótica da antiga TSR. Mas sempre achei que o terror contemporâneo de um Clive Barker, Stephen King, Lovecraft, etc. não estava bem representado no RPG de Fantasia.</p>
<div id="attachment_2010" class="wp-caption alignright" style="width: 305px"><img class="size-medium wp-image-2010" title="capa_d20_saga_julio_ferreira" src="http://www.inominattus.com/wp-content/capa_d20_saga_julio_ferreira.jpg" alt="Arte por Julio Ferreira" width="295" height="432" /><p class="wp-caption-text">Arte por Julio Ferreira</p></div>
<p>Eu queria um cenário que fosse hardcore em termos de terror, que fosse violento e divertido, sem enrolação. Assim surgiu Necropia, uma mistura de Hellraiser, Berserk (o anime) e tudo o mais do terror contemporâneo com todos os temas do gênero da fantasia. Além disso, eu coloquei em Necropia um toque de sobrevivência (como o antigo cenário Dark Sun, ou a série de filmes dos Planetas dos Macacos). Seria um mundo onde os vivos eram perseguidos pelos mortos, usados como escravos ou até mesmo como comida.</p>
<p>&#8220;<strong>Almas Torturadas</strong>&#8221; surgiu da minha vontade de ver o mundo &#8220;por dentro&#8221;, ou seja, pelos olhos dos seus habitantes. É uma história diferente, bizarra dentro de um mundo de fantasia trágico. Seus personagens principais, Sir Deiphobus, o calvaleiro Matadeus, Sati a jovem bárbara, Verótika, Vespa da Noite, Kasparov, entre outros; vivem e agem de acordo como seu mundo é organizado. Eles vivem e sobrevivem dentro de uma sociedade muito diferente da nossa.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2015" title="necropia-selo-trasnparente" src="http://www.inominattus.com/wp-content/necropia-selo-trasnparente.png" alt="necropia-selo-trasnparente" width="300" height="296" /></p>
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