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	<title>Roleplayer - Várias mesas, um só blog &#187; New Weird</title>
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		<title>Resenha &#8211; The City &amp; The City</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 19:37:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mais Miéville Por BURP The City &#38; The City é o último livro de China Miéville, que, acredito, dispensa maiores apresentações por aqui. Desta vez, no entanto, ao invés de outra viagem pelo mundo weirdde Bas-Lag, temos uma espécie de romance policial  “estranho”, bem próximo do conceito do...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: xx-large;"><strong>Mais Miéville</strong></span></p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;"><strong>Por <strong style="outline-width: 0px; outline-style: initial; outline-color: initial; font-size: 13px; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; -webkit-background-clip: initial; -webkit-background-origin: initial; background-color: transparent; font-weight: bold; background-position: initial initial; padding: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;"><a style="outline-width: 0px; outline-style: initial; outline-color: initial; font-size: 13px; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; -webkit-background-clip: initial; -webkit-background-origin: initial; background-color: transparent; text-decoration: underline; color: #c50000; font-family: 'trebuchet ms', verdana, sans-serif; background-position: initial initial; padding: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/rodapedohorizonte.wordpress.com');" href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/">BURP</a></strong></strong></p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;"><strong><em><strong style="outline-width: 0px; outline-style: initial; outline-color: initial; font-size: 13px; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; -webkit-background-clip: initial; -webkit-background-origin: initial; background-color: transparent; font-weight: bold; background-position: initial initial; padding: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;"><a style="outline-width: 0px; outline-style: initial; outline-color: initial; font-size: 13px; vertical-align: baseline; background-image: initial; background-repeat: initial; background-attachment: initial; -webkit-background-clip: initial; -webkit-background-origin: initial; background-color: transparent; text-decoration: underline; color: #c50000; font-family: 'trebuchet ms', verdana, sans-serif; background-position: initial initial; padding: 0px; margin: 0px; border: 0px initial initial;" onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/rodapedohorizonte.wordpress.com');" href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/"></a></strong>The City &amp; The City</em></strong> é o último livro de <a style="color: #2277dd; text-decoration: none; padding: 0px; margin: 0px;" href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/tag/china-mieville/" target="_blank">China Miéville</a>, que, acredito, dispensa maiores apresentações por aqui. Desta vez, no entanto, ao invés de outra viagem pelo mundo <em>weird</em>de Bas-Lag, temos uma espécie de romance policial <em> </em>“estranho”, bem próximo do conceito do lingüista búlgaro Tzvetan Todorov, passado em duas cidades fictícias do leste europeu.</p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;"><span id="more-3443"></span></p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;"><img class="size-full wp-image-3444 alignright" title="china" src="http://www.inominattus.com/wp-content/china.jpg" alt="china" width="266" height="409" />O livro começa, como é típico em histórias policiais, com um assassinato, e a investigação do inspetor Tyador Borlú, do Esquadrão de Crimes Extremos da cidade de Bèsz, para solucioná-lo. É claro, no entanto, que o que parecia um caso simples logo se revela bem mais complexo, envolvendo conspirações corporativas e políticas, bem como as complicadas relações de Bèsz com a cidade, podemos dizer, “vizinha”, Ul Qoma. A forma como essa questão é apresentada, aliás, é bastante interessante, sendo sugerida sutilmente nos primeiros capítulos e exposta de fato apenas quando as ligações da vítima com ambas as metrópoles se tornam evidentes; e é então que entendemos do que realmente trata o livro: uma fábula sobre cidades divididas, com ecos d’<em>As Cidades Invisíveis</em> de Calvino, se inspirando em algumas situações históricas, mas exagerando e extrapolando-as na melhor tradição da (boa) literatura fantástica.</p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;">Após quatro romances e uma coletânea de contos, alguns problemas do Miéville como autor já começam a ficar um pouco evidentes. Em especial, um que já aparecia em <a style="color: #2277dd; text-decoration: none; padding: 0px; margin: 0px;" href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/06/16/iron-council/" target="_blank"><em>Iron Council</em></a>, que é o pouco envolvimento pessoal de muitos personagens com a trama principal – o próprio protagonista, aqui, é pouco desenvolvido além da sua relação estritamente profissional com o caso que investiga, o que parece torná-lo muitas vezes distante dos acontecimentos, e nos leva a questionar seus interesses e motivações. <em>The City &amp; The City</em> não tem tanto de romance psicológico quanto de metáfora política e social, o que não chega a ser necessariamente um defeito, é claro, mas há de diminuir o interesse de algumas pessoas.</p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;">O ritmo do livro também parece um pouco devagar, talvez justamente por esse distanciamento que se nota do personagem principal, com as revelações da investigação andando a passos lentos até os momentos finais, quando se aproxima mais de um filme de ação policial. Novamente, no entanto, este é um problema relativo – a revelação gradual e cuidadosa das pistas, somada ainda à situação peculiar das cidades onde a história se passa, é eficiente, e conseguem mantê-lo interessado na leitura e intrigado a respeito do mistério principal, cuja solução só começa a se desenhar de fato após as últimas reviravoltas.</p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;">Por outro lado, é possível notar alguma evolução e amadurecimento em comparação com os romances anteriores, tanto na linguagem do livro, mais acessível e necessitando de menos consultas a dicionários de inglês, bem como na estrutura da trama, mais redonda bem-acabada, sem excessos ou grandes experimentalismos. Apesar dos seus elementos de fantasia e surrealismo, <em>The City &amp; The City</em> é um romance policial bem direto e objetivo, que, mesmo confundindo e blefando constantemente sobre a sua resolução, não chega a dar um nó no raciocínio. Apenas a forma como a história constrói certas expectativas só para poder quebrá-las por completo nos capítulos finais já começa a ficar um pouco manjada e previsível para quem leu outros livros do autor.</p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;">Para além da óbvia conotação política e todo o aspecto mais formal, ainda, é interessante notar como o livro, da mesma forma que <a style="color: #2277dd; text-decoration: none; padding: 0px; margin: 0px;" href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/04/18/neverwhere/" target="_blank"><em>Neverwhere</em></a>, do Neil Gaiman, consegue, a partir da fantasia e do surrealismo, nos fazer refletir um pouco sobre a nossa própria realidade. É difícil, após entender como funcinam e se mantêm as fronteiras invisíveis de Bèsz e Ul Qoma, não se pegar pensando um pouco sobre as que existem nas nossas próprias vizinhanças, especialmente nas grandes cidades, e da forma como seletivamente escolhemos não ver ou ouvir pessoas que podem estar bem ao nosso lado, ignorando tudo o que foge aos nossos mundinhos fechados particulares.</p>
<p style="margin-top: 13px; margin-right: 0px; margin-bottom: 13px; margin-left: 0px; text-align: justify; padding: 0px;">Enfim, como saldo final, à parte de todos os poréns, <strong><em>The City &amp; The City</em></strong> é uma obra bastante intrigante e envolvente, capaz de provocar a imaginação e nos fazer refletir longamente após o fim da leitura. Apresenta o amadurecimento de um grande autor, e é certamente uma recomendação.</p>
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		<title>Resenha &#8211; Looking for Jake</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Jul 2009 03:01:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mephisto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Coletânea de Contos de Miévile Por Bruno BURP Bueno, acho que não preciso fazer grandes apresentações sobre o escritor britânico China Miéville – leia lá meus textos sobre Perdido Street Station ou Iron Council se quiser saber mais a respeito. Looking For Jake é uma...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><span style="font-size: xx-large;">Coletânea de Contos de Miévile</span></strong></p>
<p>Por <a onclick="javascript:pageTracker._trackPageview('/outbound/article/rodapedohorizonte.wordpress.com');" href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/"><strong>Bruno BURP</strong></a></p>
<p>Bueno, acho que não preciso fazer grandes apresentações sobre o escritor britânico China Miéville – leia lá meus textos sobre <a href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/06/02/perdido-street-station/" target="_blank"><em>Perdido Street Station</em></a> ou <a href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/06/16/iron-council/" target="_blank"><em>Iron Council</em></a> se quiser saber mais a respeito. <strong><em>Looking For Jake</em></strong> é uma coletânea de contos do autor, reunindo histórias publicadas anteriormente em diversos locais, além de algumas originais, inclusive uma história em quadrinhos ilustrada pelo desenhista inglês Liam Sharp.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-3061"></span><strong><span style="font-size: xx-large;"><img class="size-full wp-image-3062 alignright" title="c14198" src="http://www.inominattus.com/wp-content/c14198.jpg" alt="c14198" width="174" height="262" /></span></strong>As histórias são em sua maioria de suspense, sem tanta influência da aventura <em>pulp</em> que se vê nos romances de Bas-Lag, tomando Londres como cenário principal e partindo de personagens comuns que de alguma forma acabam se envolvendo com acontecimentos fantásticos; a exceção mais notável talvez seja <em>Jack,</em> que se passa em Bas-Lag mesmo, e também foi publicada na coletânea <a href="http://rodapedohorizonte.wordpress.com/2009/04/27/the-new-weird/" target="_blank"><em>The New Weird</em></a>. Nada disso impede, no entanto, que sejam bastante inventivas, buscando o elemento fantástico em lugares e formas inesperadas e surpreendentes: <em>Familiar</em>, por exemplo, na minha opinião o conto mais impressionante do livro, conta a história de um familiar místico abandonado pelo dono, partindo em uma envolvente jornada de amadurecimento e auto-descoberta; <em>Details</em>, que faz referência aos mitos de Ctulhu de H. P. Lovecraft, apresenta entidades sobrenaturais escondidas nas formas de rachaduras e riscos na parede; e em <em>Different Skies</em> é a vista de uma janela de vidro comprada em uma loja de móveis usados que revela um outro mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">É interessante também ver certos experimentos narrativos em alguns dos contos. A maioria deles é narrado em primeira pessoa, do ponto de vista de um dos personagens ou de alguém que simplesmente presenciou os acontecimentos, em alguns momentos ficando até um pouco repetitivos; <em>Reports of Certain Events in London</em>, no entanto, toma o próprio autor como protagonista e narrador, relatando o conteúdo de um pacote entregue por acidente na porta da sua casa, através do qual ficou sabendo de uma bizarra guerra secreta que acontece no submundo de ruas ao redor do mundo. Já <em>Entry Taken From a Medical Encyclopaedia</em>, como o próprio nome sugere, é escrito como um artigo de enciclopédia médica, descrevendo uma doença bizarra transmitida pela pronúncia de uma determinada palavra.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro elemento importante em quase qualquer trabalho do Miéville é o aspecto político, uma vez que o autor é um militante de esquerda que assumidamente tenta imprimir algo da sua ideologia nas histórias que conta. <em>Foundation</em>, por exemplo, é baseada em um fato verídico sobre a Guerra do Iraque, referenciado pelo autor no fim do livro; <em>An End to Hunger</em> tem uma pegada meio <em>cyberpunk</em>, com a revolta particular de um <em>hacker</em> contra um site filantrópico; e <em>‘Tis the Season</em> é uma história meio irônica sobre um futuro onde até feriados como o natal foram privatizados. Nesta última, principalmente, o conteúdo político chega mesmo a ser um pouco panfletário, talvez por ter sido originalmente publicada em uma revista socialista; em geral, no entanto, eles não se sobrepõem à necessidade de contar uma boa história em primeiro lugar, e realmente colaboram em torná-las mais significativas e interessantes.</p>
<p style="text-align: justify;">A coletânea fecha ainda com <em>The Tain</em>, que não é propriamente um conto mas uma pequena novela, ocupando as últimas 70 páginas do livro. Ela se baseia em um capítulo d’<em>O Livro dos Seres Imaginários</em>, de Jorge Luís Borges, para mostrar uma Londres devastada após a invasão de seres de outro mundo, onde um homem tenta salvar o que restou da humanidade. É uma das histórias mais fortes do livro, com um cenário pós-apocalíptico bastante impressionante, um enredo crítico que aborda a visão do conflito por ambos os lados, e aquele tipo de final devastador e inesperado que realmente a separa das demais.</p>
<p style="text-align: justify;">No geral, <strong><em>Looking for Jake</em></strong> é um ótimo livro, como basicamente tudo o que eu li do autor até o presente momento. Poucas das histórias são insossas ou esquecíveis – mesmo as que parecem mais descartáveis contam ao menos com algum elemento inesperado e bizarro, daqueles que chamam a atenção e provocam a imaginação, e fazem valer a leitura de qualquer forma. Certamente recomendo para qualquer um que goste de supense e fantasia <em>weird</em>.</p>
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